terça-feira, 2 de agosto de 2011

LENDA DA CORNALHEIRA

"LENDA DA CORNALHEIRA DE SANTO ALIFONSO"

Frei João Hortelão nascido na localidade de Valverde, e o seu carácter religioso e as suas virtudes pessoais, onde não faltou sequer o facto de ser oriundo de famílias pobres e ligadas à pastorícia na aldeia natal, foi sendo, ao longo dos séculos, envolvido em histórias e acontecimentos que ninguém pode hoje comprovar, incluindo o espírito profético que o levou a adivinhar o ano da sua morte. Entre as muitas "façanhas", quando ainda jovem, conta-se o seu "jeito" especial para a pastorícia dizendo-se que deixava o gado à volta do seu cajado e ia ouvir missa aos povoados da outra margem do rio Sabor. Quando regressava, o gado lá estava no mesmo sítio quieto e manso. O amo, sabendo isto, proibiu lhe a passagem do rio na barca, mas ele continuou na sua missão atravessando a corrente, servindo-se da sua capa para barco. O patrão, não gostando de tais ausências, despediu o pastor que se dirigiu então para Castela, sempre mendigando pelo caminho. No lugar onde Frei João Hortelão deixava o gado
cresceu, segundo a tradição popular, uma cornalheira de dimensões fora do vulgar, transformada em árvore frondosa, cuja folhagem se mantém verde durante todo o ano, ao contrário do que acontece com esta espécie, que na região não atinge mais de dois metros de altura, como arbusto, de folha caduca! Talvez"a outra margem do rio Sabor" não corresponda à verdade histórica e se esteja a falar da antiga povoação de Cilhades, na margem direita, que dá para a encosta onde se encontra a tal cornalheira; bem vistas as coisas, fala-se do concelho de Alfândega da Fé, criado por carta de foral de D. Dinis em 1294, cujas fronteiras o separavam de Santa Cruz da Vilariça exactamente naquela zona, pelo local designado por "rebentão", sendo que toda esta área foi pertença de Alfândega até à reforma dos concelhos de 1855! Mas o espírito "milagroso" deste nosso Frei João Hortelão não se ficou por aqui. Ainda na sua freguesia de origem, existe outro local conhecido por "bardo do Frei João"; o motivo é semelhante: de acordo, uma vez mais, com a tradição popular, naquele local deixava frequentemente o seu rebanho, sem as habituais guardas de madeira, e os animais não saíam do local, de tal forma que ainda hoje o mesmo se mantém sempre com verdura! Despedido do seu emprego, Frei
João Hortelão terá rumado até Castela e ficado pela vila de Ledesma, (Salamanca) tomando o hábito de leigo e entrando para o convento de Santa Marina. Diz J. Vilares, na obra citada, que "por meio de esmolas, conseguiu edificar a igreja matriz de Ledesma onde se conserva, segundo a
tradição, uma gota de leite da Virgem e uma madeixa do seu cabelo tudo obtido pelo santo varão". No entanto, a grande façanha que é atribuída pela lenda a Frei João Hortelão resulta de algo muito mais espantoso e menos explicável ainda, porque contraditório com o seu viver conventual: "com bocadinhos de prata que ia guardando na oficina onde trabalhava fez esta formosa cruz", a Cruz Processional de Valverde, símbolo maior da ourivesaria do concelho deAlfândega da Fé e que a população de Valverde guarda com um autêntico sentimento de Fé, de misticismo e de patriotismo.
Extraido de:
João Baptista Vilares, na Monografia do Concelho de
Alfândega da Fé.

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